Oi, gentem!
Estava bem em dúvida se deveria ou não fazer este post. Na verdade, estou aqui escrevendo e não sei ainda se vou publicá-lo. O caso é que, desde que a
Blogueira Shame surgiu na internet para denunciar uma série de erros grotescos que aparecem em blogs femininos, a palavra
blogueira ganhou um sentido pejorativo, como se os blogs femininos fossem um veículo de baixa qualidade.
Assista ao vídeo abaixo, sobre uma hipotética "batalha" entre jornalistas de moda e blogueiras. Eu volto a seguir.
Muito bem. A "disputa" é muito clara. De um lado, temos jornalistas de moda, gente que fez faculdade de Jornalismo e/ou Moda e Estilismo, que trabalham para revistas e/ou programas de televisão. De outro, blogueiras, ou seja, pessoas que possuem um blog e fazem dele seu trabalho, postando artigos que incluem, entre outras coisas, moda.
Os jornalistas, em sua argumentação, defendem que estão há mais tempo nesse ramo de moda, enquanto as blogueiras acabaram de chegar. Alegam que eles são especialistas no assunto, que estudaram e dominam o assunto enquanto as blogueiras são leigas dando apenas sua opinião.
Com relação a isso, quero manifestar minha opinião. Se as blogueiras acabaram de chegar, devemos pensar que todo mundo precisa começar um dia, por algum lugar. Senão faremos como as empresas que querem contratar funcionários, mas nunca dão chance a quem está começando, porque não tem experiência. Oras, se ninguém der a primeira chance, como a pessoa vai ganhar experiência? Não é porque alguém começou há pouco tempo em determinado trabalho que a qualidade que vai apresentar seja baixa. Claro que as pessoas vão se aperfeiçoando com a experiência. Mas uma longa jornada começa com o primeiro passo, não é?
Outra coisa: há um pouco de preconceito quando se diz que a blogueira é uma pessoa leiga no assunto de que ela trata seja ele qual for. Existem blogueiras que levam a sério o seu trabalho, se dedicam, estudam, pesquisam, leem. São todas? Não. É a maioria? Não. Infelizmente, hoje em dia virou moda criar um blog e postar qualquer coisa. Temos uma legião de garotas que não dominam nem mesmo o idioma português culto mas querem escrever sobre moda, maquiagem, beleza, fazer resenhas de produtos. Porque ser blogueira se tornou um negócio lucrativo, um sonho de trabalho para toda uma geração que adoraria trabalhar na frente do computador, em sua própria casa, ganhando rios de dinheiro e produtos para testar, num mundo de glamour e beleza. Isso me faz lembra de uns poucos anos atrás quando todas as meninas sonhavam em se tornar modelo. Era um sonho, uma ilusão, uma falsa crença num suposto trabalho fácil.
Alguns falaram em parcialidade. Não há parcialidade, nem no jornalista, nem na blogueira. Seja por uma questão de gosto pessoal, seja por manifestar a opinião do veículo (da revista, da rede de comunicação), seja por receber jabá patrocínio. Tanto o jornalista de moda como a blogueira vai puxar sardinha tender para o lado que o beneficie, de alguma forma. A imprensa não é isenta de ideologias faz muito tempo. Não se pode dizer que o blog vai ser mais tendencioso devido a interesses próprios, porque as outras mídias também são tendenciosas. O que se pode esperar é que algumas pessoas não sejam tendenciosas, porque não se permitem vender. Mas isso se aplica tanto aos jornalistas de moda quanto às blogueiras.
Nessa batalha, quem ganha? Ninguém. Ou todos. Precisamos entender que se tratam de coisas diferentes, com objetivos diferentes. As revistas e programas de moda tem seu espaço garantido há muito tempo e sempre venderam muito bem o seu peixe. Mas por que os blogs se tornaram um fenômeno tão arrebatador na atualidade? Justamente por causa da individualidade, da opinião. O blog surgiu na internet como um espaço particular, onde o blogueiro (ou a blogueira) coloca a sua personalidade no que posta. Não é uma revista dizendo se aquilo é ou não é tendência, mas uma pessoa, real, dizendo se a tendência que saiu na revista ou nos desfiles lhe agrada ou não. É essa particularidade do blog que o torna cada vez mais íntimo do leitor. É como uma troca de informações, uma conversa informal com as amigas.
A partir do momento que o blog e a blogueira perdem essa característica de ser pessoal, de lhe dizer o que lhe agrada ou não com sinceridade, o blog perde sua identidade e passa a ser apenas um mural comercial.
Sei que não sou a dona da verdade. Algumas vezes, o meu blog também faz postagens com um ou outro erro de digitação. Sei que meu gosto pessoal não é o mais requintado do mundo, nem o mais antenado com as tendências. Mas o que eu posto aqui no Coisas da Deinhah reflete o que eu sou, o que são as minhas colaboradoras. Reflete nossos gostos e desgostos, aquilo que sugerimos como sendo bom, aquilo que não sugerimos por ser ruim. Somos de verdade, de carne e osso, seres humanos sem perfeição. E queremos que o blog continue assim. Mas isso não significa que não estudamos antes de fazer uma postagem. Muitas vezes perco horas lendo, pesquisando, entendendo um pouco mais sobre o assunto para poder fazer uma postagem de qualidade. Ninguém é especialista em tudo. Nem mesmo os jornalistas. Eles também precisam pesquisar antes de fazer uma reportagem.
Além de blogueira, sou leitora de blogs. E tem muita gente por aí produzindo artigos de muita qualidade. Sou leitora do Blogueira Shame, mas não concordo com tudo o que ela posta. Algumas vezes, a sátira é feita em cima de algo que representa um gosto pessoal, como um sapato diferente, uma nail art. Mas blog é justamente para isso: para ser pessoal, não é?
Mas me digam: estou errada em pensar assim?