Quando pequena, lembro-me de acordar no domingo de Páscoa com um ovo de chocolate ao lado da cama, em cima do criado mudo. Aquele papel brilhoso, laminado, generoso, enchia os olhos da gente! E como era doce aquele chocolate! Sim, na minha casa, com três filhos, minha mãe e meu pai não podiam nos dar uma cesta cheia de gostosuras, como acontecia com meus amiguinhos da escola. Mas aquele ovo, único, era mais do que suficiente para encher de alegria os nossos coraçõezinhos infantis.
Naquela época, os tempos eram difíceis. Chocolate era artigo de luxo, caro, não se comia o tempo todo. Talvez por sua raridade, é que o sabor nos parecia ainda mais delicioso (como se chocolate pudesse ser mais delicioso). Mas é que para nós ele tinha o sabor de uma fina iguaria, apesar de na época nem sabermos o que significava essa palavra.
Hoje vejo que mais que o chocolate, nossa Páscoa era assim, tão boa e gostosa, porque em nossa família tinha muito mais do que uma cesta cheia de chocolate. Tínhamos nossa mãe em casa, presente, acompanhando nosso crescimento, mesmo que isso significasse menos dinheiro no fim do mês, já que ela não recebia salário para ser dona de casa. Tínhamos valores verdadeiros, que recebemos através dos ensinamentos que nos transmitiam nosso pai e nossa mãe. Tínhamos amor, simples e puro. Esse amor que falta nos dias de hoje, em tantas casas. Esse amor que se perdeu quando a família se desestruturou.
Quero eu, se um dia filhos tiver, que meus filhos possam se lembrar das datas festivas, com o mesmo carinho que eu me lembro, com os olhos marejados de saudade e ternura. Quero que sintam, em seus corações, o mesmo apertinho no coração que sinto agora, ao escrever este texto. Quero que sintam nostalgia, saudade, que revivam os doces momentos infantis. Que eu possa fazer para eles o bolo com orelhas de coelho que minha mãe fazia, que eles possam me ajudar a decorar o bolo com confetes de chocolate. E que a vida seja doce, como foi é a minha.
Feliz Páscoa a todos.
Aos cristãos, um significado especial, a mais: não podemos nos esquecer que foi na Páscoa que Jesus Cristo foi crucificado e morreu na cruz, no nosso lugar, para que nossos pecados fossem perdoados. "Porque o salário do pecado é a morte..." (Rom 6:23), mas minha alma não precisa morrer, porque Cristo já fez isso por mim. E no terceiro dia após sua morte, conforme as profecias, Ele ressuscitou para a glória de Deus. Chocolate é muito bom, mas ter certeza da salvação da minha alma, porque Cristo é meu único e verdadeiro Salvador, é muito melhor que chocolate.
Aos amigos que não são cristãos, que a Páscoa possa ser uma passagem, uma transformação, um momento de renovação. Que vocês possam repensar suas atitudes, melhorar o que precisa ser melhorado, conservar o que já está bom. Na verdade, não há momento específico para a reflexão, mas a Páscoa dos Judeus significava "passagem", então não custa aproveitar o momento para refletir.
Grande domingo a todos.





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